Resolução incentiva o uso da projeção Equal Earth, que reduz distorções da tradicional Mercator e amplia visualmente regiões como África e América do Sul.
Dinalva Heloiza - Jornalista Voluntária do UNV*
Por que o mapa tradicional
distorce o mundo?
A conhecida projeção de Mercator,
criada no século XVI, foi desenvolvida principalmente para facilitar a
navegação marítima. Embora seja extremamente útil para essa finalidade, ela
aumenta visualmente as áreas próximas aos polos e reduz proporcionalmente
regiões próximas ao Equador.
O resultado é uma percepção
distorcida do tamanho dos continentes. Um dos exemplos mais conhecidos é a
comparação entre África e Groenlândia: nos mapas de Mercator, elas podem
parecer semelhantes em tamanho, embora a África seja aproximadamente 14 vezes maior.
A projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, utiliza uma representação de áreas equivalentes, permitindo visualizar de maneira mais proporcional o tamanho das massas terrestres.
Muito além de uma mudança
visual
África, América do Sul e partes
da Ásia ganham uma dimensão visual mais próxima de suas áreas reais, enquanto
regiões de altas latitudes deixam de parecer tão grandes. O debate também é
associado à necessidade de superar representações históricas que contribuíram
para colocar determinadas regiões do mundo em uma posição visualmente
desproporcional.
E o Brasil?
Para os brasileiros, a mudança
também chama atenção. A América do Sul aparece mais próxima de suas proporções
reais, reforçando visualmente a dimensão territorial do continente e do próprio
Brasil.
Mas é importante esclarecer: a
resolução da ONU não elimina a utilização da projeção de Mercator,
especialmente em aplicações de navegação, nas quais suas características
continuam sendo úteis. A decisão busca incentivar representações mais
proporcionais em materiais educacionais, institucionais e plataformas digitais.
Um novo olhar sobre o planeta
A discussão mostra que mapas são
mais do que desenhos geográficos: eles ajudam a construir a maneira como
enxergamos e interpretamos o mundo.
Agora, uma pergunta fica para
escolas, veículos de comunicação, plataformas digitais e produtores de
conteúdo: se podemos representar o planeta de forma mais proporcional, por que
não começar a ensiná-lo assim?
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Fontes: ONU, Agência Brasil, Reuters e AFP.
UNV* - Programa de Voluntariado das Nações Unidas.



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