sábado, 12 de setembro de 2026

ONU aprova nova representação do mapa-múndi e coloca continentes em proporções mais reais.

Resolução incentiva o uso da projeção Equal Earth, que reduz distorções da tradicional Mercator e amplia visualmente regiões como África e América do Sul.

Dinalva Heloiza - Jornalista Voluntária do UNV*

O mapa-múndi que aprendemos a observar desde a infância acaba de ganhar um novo capítulo. Na sexta-feira (4), a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que incentiva uma representação mais precisa das dimensões dos continentes, com destaque para a adoção da projeção Equal Earth (Terra Igual). A proposta foi liderada pelo Togo, com apoio de países africanos e da União Africana. Foram 164 votos favoráveis, um contrário — dos Estados Unidos — e seis abstenções.

Por que o mapa tradicional distorce o mundo?

A conhecida projeção de Mercator, criada no século XVI, foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação marítima. Embora seja extremamente útil para essa finalidade, ela aumenta visualmente as áreas próximas aos polos e reduz proporcionalmente regiões próximas ao Equador.

O resultado é uma percepção distorcida do tamanho dos continentes. Um dos exemplos mais conhecidos é a comparação entre África e Groenlândia: nos mapas de Mercator, elas podem parecer semelhantes em tamanho, embora a África seja aproximadamente 14 vezes maior.

A projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, utiliza uma representação de áreas equivalentes, permitindo visualizar de maneira mais proporcional o tamanho das massas terrestres.

Muito além de uma mudança visual

A discussão proposta pela ONU não envolve apenas cartografia. Para os países que apoiaram a iniciativa, a maneira como o mundo é representado também influencia a educação, a percepção geográfica e a compreensão das diferentes regiões do planeta.

África, América do Sul e partes da Ásia ganham uma dimensão visual mais próxima de suas áreas reais, enquanto regiões de altas latitudes deixam de parecer tão grandes. O debate também é associado à necessidade de superar representações históricas que contribuíram para colocar determinadas regiões do mundo em uma posição visualmente desproporcional.

E o Brasil?

Para os brasileiros, a mudança também chama atenção. A América do Sul aparece mais próxima de suas proporções reais, reforçando visualmente a dimensão territorial do continente e do próprio Brasil.

Mas é importante esclarecer: a resolução da ONU não elimina a utilização da projeção de Mercator, especialmente em aplicações de navegação, nas quais suas características continuam sendo úteis. A decisão busca incentivar representações mais proporcionais em materiais educacionais, institucionais e plataformas digitais.

Um novo olhar sobre o planeta

A discussão mostra que mapas são mais do que desenhos geográficos: eles ajudam a construir a maneira como enxergamos e interpretamos o mundo.

Agora, uma pergunta fica para escolas, veículos de comunicação, plataformas digitais e produtores de conteúdo: se podemos representar o planeta de forma mais proporcional, por que não começar a ensiná-lo assim?

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Fontes: ONU, Agência Brasil, Reuters e AFP.

UNV* - Programa de Voluntariado das Nações Unidas.


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