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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Marketing Digital no Brasil, e a Urgência de uma Nova Consciência Empresarial

 

 Dinalva Heloiza


Em um cenário marcado pela transformação digital acelerada, pela ascensão das redes sociais e pela consolidação do consumo online, o marketing digital tornou-se elemento central na estratégia de qualquer empresa que deseja se manter relevante. Ainda assim, persiste no Brasil uma contradição preocupante: enquanto as marcas dependem cada vez mais da presença digital para sobreviver, muitos empresários continuam tratando o marketing como custo operacional — e não como investimento estratégico.

Essa mentalidade impacta diretamente a forma como os profissionais da área são percebidos e contratados. Em vez de serem reconhecidos como especialistas responsáveis por posicionamento, autoridade e geração de receita, muitos ainda são vistos como “criadores de posts”, como se sua função se resumisse à publicação de imagens no Instagram. 

Não raro, empresas optam por delegar essa responsabilidade a parentes ou conhecidos, sob a justificativa de que “é só postar”, ignorando completamente a complexidade técnica envolvida na gestão profissional de uma marca no ambiente digital.

A atuação de um profissional de marketing digital vai muito além da estética das publicações. Envolve estratégias de SEO para ampliar visibilidade orgânica, planejamento estruturado de marketing de conteúdo com técnicas persuasivas, produção de vídeos orientados por storytelling, gestão de tráfego pago, análise de métricas, segmentação de público, integração com plataformas de monitoramento e a elaboração de relatórios mensais capazes de demonstrar resultados concretos. Trata-se de uma atuação analítica, estratégica e orientada por dados.

No entanto, mesmo diante dessa complexidade, o setor ainda enfrenta precarização nas relações de trabalho. Contratos frágeis, acúmulo de funções e exigências que ultrapassam o escopo inicialmente acordado tornaram-se comuns. Espera-se crescimento imediato de seguidores, aumento expressivo de engajamento e conversões rápidas, muitas vezes sem estrutura adequada, sem orçamento compatível e sem compreensão do tempo necessário para maturação das estratégias digitais. Marketing não opera sob lógica de improviso; é construção contínua de posicionamento e reputação.

Essa desvalorização está diretamente ligada à ausência de cultura empresarial voltada à comunicação estratégica. Muitos gestores ainda não compreendem que marketing bem estruturado impacta diretamente o faturamento, a consolidação da marca e a percepção de valor do produto ou serviço oferecido. Ao tratar o setor como despesa dispensável, a empresa compromete seu próprio potencial de crescimento.

O empresário consciente entende que a marca é um ativo intangível de alto valor. E todo ativo exige gestão qualificada. Avaliar um profissional de marketing deve significar analisar indicadores consistentes: alcance qualificado, engajamento real, geração de leads, fortalecimento de autoridade e retorno sobre investimento. Não se trata de “likes”, mas de estratégia mensurável.

Em tempos de inteligência artificial, automação e alta competitividade digital, manter a gestão da marca nas mãos de alguém sem preparo técnico não é economia — é risco. Empresas que não investem de forma estratégica em marketing tendem a perder espaço para concorrentes que compreenderam a importância de posicionamento e diferenciação.

A valorização do profissional de marketing digital não é apenas uma reivindicação da categoria. É uma necessidade estrutural do mercado contemporâneo. Em um ambiente cada vez mais orientado por dados e percepção de marca, investir em gestão estratégica deixou de ser opcional. Tornou-se imprescindível para quem deseja crescer com solidez, relevância e sustentabilidade.

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