Dinalva Heloiza – Jornalista
Voluntária do UNV*
O Acordo de Escazú é um Acordo
Regional sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Acesso à Justiça em
Assuntos Ambientais na América Latina e no Caribe, um Tratado que nasceu a
partir da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20), realizada em 2012. E foi adotado sob os auspícios da Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que é uma das comissões
regionais da ONU.
A linha de frente da crise
climática na América Latina deixou de ser uma discussão abstrata sobre
projeções de temperatura e se consolidou como uma disputa concreta por
território, direitos fundamentais e sobrevivência democrática. Em uma das
regiões de maior biodiversidade do planeta, marcada simultaneamente por
profundas desigualdades sociais, concentração fundiária e conflitos
territoriais, os impactos da emergência climática não são distribuídos de
maneira uniforme.
É nesse ponto que emerge o
conceito de justiça climática: a compreensão de que os efeitos da
mudança do clima precisam ser analisados também a partir das desigualdades
econômicas, sociais, raciais, territoriais e históricas que determinam quem
está mais exposto aos riscos e quem dispõe de menos recursos para enfrentá-los.
A ciência climática já demonstra
que o problema deixou de ser uma ameaça distante. O relatório mais recente da
Organização Meteorológica Mundial (OMM), publicado em maio de 2026, aponta que 2025
foi marcado na América Latina e no Caribe por calor recorde, secas
persistentes, chuvas extremas, ciclones tropicais e aceleração do derretimento
de geleiras. O organismo destaca ainda que os eventos extremos vêm
pressionando sistemas agroalimentares, saúde pública, segurança hídrica e
economias locais.