Dinalva Heloiza
Natural de Trindade (GO), a artista visual e muralista foi
convidada pela FIFA para representar Brasília — uma das oito
cidades-sede do torneio — em um festival colaborativo de arte urbana realizado
na orla de Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último dia 25 de
janeiro.
A ação reuniu artistas de diferentes regiões do país para
transformar as cidades anfitriãs em grandes painéis a céu aberto, celebrando o
futebol feminino com uma abordagem essencialmente cultural e feminina.
Futebol, Cerrado e protagonismo negro
O trabalho de Izzy Credo nasce do diálogo entre a cultura
popular do Cerrado e o protagonismo negro. Suas referências vêm das festas do
interior, das manifestações religiosas e das expressões culturais que marcaram
sua infância.
Com cores vibrantes, movimento intenso e uma narrativa que
equilibra o sagrado e o profano, a artista constrói imagens carregadas de
energia e mistério — elementos que, segundo ela, também traduzem o espírito do
futebol brasileiro.
“Cresci no interior, em meio a festas populares e práticas
religiosas. Acho muito bonita a mistura dessas tradições com a música, com as
cores e com o ato de acreditar. Tudo isso se conecta com o modo de vida
brasileiro e, neste projeto, com a forma como as pessoas apoiam seus times”,
destaca.
Brasília como paisagem de futuro
Ao transformar seus traços na representação da capital
federal, Izzy enxergou Brasília como um território de “futuros hipotéticos”. A
arquitetura moderna, marcada por linhas ousadas e monumentais, dialoga com a
ideia de movimento, projeção e expectativa — conceitos que também atravessam o
universo do futebol.
“O verde é mais verde, o azul é mais brilhante, o branco é
realmente branco”, observa a artista ao descrever a luz solar da cidade. Para
ela, os torcedores fazem parte da paisagem, compondo uma estética própria que
diferencia o Brasil no cenário mundial.
Mais do que cenário, a cidade se torna narrativa. Mais do
que estádio, experiência.
Copa Feminina: cultura e experiência coletiva
Participar do projeto, ao lado de artistas de diferentes
regiões, representou para Izzy um mergulho emocional na memória afetiva do
futebol. Ela relembra momentos da infância, quando brincava de bola enquanto os
primos pintavam o contorno de seu corpo no chão, envolto em verde, amarelo e
pequenas bandeiras.
“Quando se trata de futebol no Brasil, esse sentimento não
nasce de uma experiência individual, mas coletiva”, afirma.
E é exatamente esse espírito que a Copa do Mundo Feminina
2027 promete fortalecer: o futebol como arte, como cultura e como encontro.
Ao levar a força do Cerrado para representar Brasília em um
projeto global, Izzy Credo não apenas assina um mural — ela reafirma o
protagonismo feminino, a potência da arte urbana brasileira e a capacidade do
esporte de unir tradição, identidade e futuro.
Para o Brasil, faltam 500 dias.
Para a arte, o jogo já começou. ⚽✨


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