sexta-feira, 29 de maio de 2026

Entre a Civilização e a Barbárie - 0 Limite da Escolha!

 

Dinalva Heloiza


Há momentos na história de um país em que a escolha política deixa de ser apenas uma preferência ideológica e passa a ser um teste moral coletivo. Não se trata mais de simpatia, carisma ou identificação imediata com um projeto de poder, mas o mais importante, a consciência do eleitor em reconhecer os limites que não podem ser ultrapassados sem que a própria ideia de sociedade, civilidade e democracia comece a ruir.

O Brasil já experimentou, em um passado recente, um tipo de condução política que não se limitou a erros administrativos ou divergências legítimas de visão. O que se viu foi a institucionalização de um método corrosivo e destrutivo: onde a desinformação foi elevada à categoria de estratégia, o confronto e ódio permanente transformado em linguagem de governo, a desqualificação da ciência e do conhecimento como ferramenta deliberada de poder. Não foi apenas uma crise de gestão — foi também uma crise de consciência coletiva.

Quando a mentira se torna rotina, a verdade deixa de ser referência. Quando o ódio passa a organizar o discurso público, a convivência se torna inviável. E quando a ignorância é celebrada, o futuro de uma nação é comprometido em suas bases mais profundas. Esse tipo de projeto não precisa declarar sua intenção de destruir — ele o faz lentamente, ao corroer a confiança, fragilizar instituições e banalizar a violência simbólica e concreta.

Nesse ambiente, direitos deixam de ser garantias e passam a ser obstáculos. A dignidade humana se torna negociável. Grupos historicamente vulneráveis voltam a ocupar o lugar de alvo, e não de prioridade. A floresta vira recurso a ser explorado sem medida, a ciência vira opinião, a educação vira ameaça. E, talvez o mais grave, a própria ideia de verdade se dissolve em meio a versões fabricadas.

Mas há também outro caminho, esse mesmo que nos encontramos hoje — e ele não é perfeito, nem isento de críticas. Mas, é o caminho da reconstrução paciente, do fortalecimento institucional, da retomada de políticas públicas que não operam a partir do ressentimento, mas da responsabilidade social. Um caminho em que o Estado volta a ser instrumento de inclusão, e não de exclusão; de mediação, e não de conflito permanente.

É nesse terreno que políticas públicas ganham seu verdadeiro significado. Não como peças de propaganda, mas como estruturas concretas que impactam vidas: no acesso à saúde, na valorização da educação, na proteção ambiental, na redução das desigualdades. Essas são escolhas que não geram manchetes explosivas, mas sustentam o tecido social de forma silenciosa e o fortalece continuamente. A paz prevalece, e a civilidade passa a tomar seu lugar de relevância. 

Há, ainda, um elemento essencial que diferencia esses dois momentos: o papel das instituições. Em um ambiente democrático saudável, a justiça não serve a um grupo, a uma família ou a um projeto pessoal de poder. Ela atua — ainda que com falhas e imperfeições — como instrumento de equilíbrio, investigando e responsabilizando independente de posição social ou influência política. Esse funcionamento é o que impede que o país se transforme em território de impunidade seletiva.

Além disso, a posição atual do Brasil em cenário internacional também reflete essa escolha interna. Uma nação que respeita suas instituições, que preserva sua democracia e que busca soluções coletivas volta a ser vista com credibilidade, investimentos contínuos aportam em solo brasileiro. E lá fora, o Brasil é hoje um país respeitado e amado, ao contrário do período -pária – que vivenciamos em contexto internacional na gestão anterior. Hoje o diálogo substitui o isolamento, a cooperação substitui o conflito vazio, e o país reassume um papel que vai além de suas fronteiras.

Nada disso exige devoção cega ou ausência de críticas ao governo. Ao contrário: a maturidade democrática pressupõe vigilância constante, cobrança e participação ativa. Mas existe uma diferença clara entre criticar dentro das regras do jogo democrático ou optar por corroer o próprio tabuleiro.

O que está em jogo, portanto, não é a defesa de um nome, mas a recusa de um método. Não é sobre entusiasmo, mas sobre consciência. Não é sobre paixão, mas sobre responsabilidade histórica.

Porque há períodos em que uma nação pode se dar ao luxo de errar escolhas. E há outros em que errar significa abrir espaço para algo que, uma vez instalado, não se limita a governar — mas passa a desmontar, peça por peça, tudo aquilo que sustenta a vida em comum.

E talvez o maior risco não seja o retorno explícito desse tipo de projeto, mas o esquecimento de como ele opera. A memória, nesse sentido, deixa de ser apenas lembrança e passa a ser um instrumento de proteção.

O Brasil já sabe o que não pode voltar a ser. E essa consciência, mais do que qualquer campanha ou discurso, é o que define um futuro possível.

Há horas em que a urna não nos pergunta quem nos encanta, mas se ainda sabemos distinguir civilização de barbárie, civilização ou modelo de ódio. E essa é uma dessas horas.

Vote contra o golpismo, contra a seita da violência, vote contra o entreguismo de nossa soberania nacional, contra um modelo que se auto preserva na impunidade. Um modelo em que se corroem instituições, envenenam a convivência e flertam com as trevas como quem flerta com um brinquedo.

Um país sobrevive a governos ruins, mas às vezes não sobrevive ao prazer que alguns políticos demonstram em destruir tudo. Não estou lhes pedindo paixão; estou lhes implorando lucidez.

E lucidez é tudo que a nossa sociedade necessita para sair do caos que tenta se instalar em nossas instituições, e quando menos esperamos, ele está a governar nossa vidas!

Lucidez, eu te imploro! 

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