Dinalva Heloiza
Há um fio invisível entre mim e você,não se vê com os olhos, mas sustenta o viver.
É feito de escolhas, de gestos pequenos,
de silêncios honestos e de afetos serenos.
Chamam-no ética — mas não dessas frias,
presas em teorias, distantes dos dias.
É ética viva, pulsando no agir,
no modo de doar, no modo de ouvir.
O bem comum não é um lugar distante,
nem promessa guardada em discurso elegante.
É pão repartido, é tempo concedido,
é o outro enxergado — não só percebido.
É quando na pressa a gente desacelera,
quando a vantagem já não impera.
É quando o “eu” aprende, enfim, a ceder,
pra que o “nós” encontre espaço pra florescer.
Na mesa de casa, começa a lição:
respeito no tom, presença no pão.
Entre amigos, é mais que sorrir —
é saber quando calar e ouvir.
Na cidade, é escolha diária e discreta:
não furar a fila, agir com ética direta.
É cuidar do espaço que a todos pertence,
é lembrar que o mundo não gira só em quem vence.
Na economia, é mais que lucrar:
é pensar no impacto de cada negociar.
É crescer sem pisar, é gerar sem ferir,
é entender que riqueza também é construir.
Na política, então — terreno tão denso —
o bem comum exige um olhar mais intenso.
Não basta prometer ou bradar,
é servir com coragem, é saber se doar.
Na educação, é semente plantada:
não só mente formada, mas alma despertada.
Ensinar que viver não é só competir,
mas aprender, sobretudo, a coexistir.
Mas me diga — como exercitar
esse caminho que insiste em nos desafiar?
Começa no simples, no quase invisível:
no gesto gentil, no cuidado possível.
Na palavra que acolhe, no erro assumido,
no ego domado, no orgulho vencido.
É vigiar o impulso de sempre ganhar,
é lembrar que perder também pode nos ensinar.
É trocar o julgamento por compreensão,
é fazer do respeito uma extensão da mão.
É prática diária — não nasce perfeito,
é treino constante no campo do peito.
É cair, levantar, ajustar o olhar,
é, mesmo cansada, escolher melhorar.
Porque o mundo que tanto queremos ver
não nasce pronto — começa em mim e em você.
Na soma invisível de cada intenção,
na soma sensível de cada ação.
E assim, pouco a pouco, sem alarde ou voz,
o bem comum deixa de ser “eles” — e vira “nós”.

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