terça-feira, 21 de abril de 2026

Entrevista com Priscilla Nunes – Presidente do Conselho Administrativo da Planalto Tratores - Liderar além do cargo: estratégia, sucessão e a força feminina no agro!

 

Dinalva Heloiza – Jornalista


Em um setor historicamente dominado por homens, a liderança feminina ainda é, muitas vezes, um território de conquista diária. 

À frente da presidência do Conselho de Administração da Planalto Tratores, Priscilla Nunes Cunha construiu uma trajetória que une sensibilidade e estratégia, tradição e inovação.

Empresária, conselheira consultiva e palestrante, com atuação consolidada no agronegócio brasileiro sua história não começa no privilégio, mas na superação. 

Sua trajetória é marcada pela expansão e profissionalização de uma empresa familiar, com forte foco em governança, sucessão e desenvolvimento de pessoas.

Órfã ainda na infância, encontrou na educação e no trabalho o caminho para transformar dor em propósito — e propósito em liderança. 

Com formação em Administração e especializações em gestão e governança corporativa, atua diretamente em ambientes decisórios, conselhos e processos de transição, contribuindo para a construção de negócios mais estruturados e preparados para o futuro.

Sua experiência é construída na prática. Ao longo da carreira, esteve à frente de decisões desafiadoras, reorganização de estruturas e amadurecimento de lideranças, especialmente em contextos onde continuidade, relações familiares e estratégia caminham juntas.

Hoje, lidera uma das concessionárias mais reconhecidas do Brasil no setor do agronegócio, com expansão para novos mercados e uma atuação sólida em governança e sucessão familiar. Mas, acima de tudo, Priscilla constrói algo maior: continuidade com sentido.

Natural de Goiânia, carrega em sua história vivências que moldaram uma liderança firme, responsável e orientada a resultados.

E é com essa liderança, que hoje o nosso blog inicia um projeto de entrevistas com lideranças femininas, com vocês, Priscilla Nunes!

Trajetória

Dinalva Heloiza - Priscilla, sua história começa com desafios muito profundos. Como essas experiências moldaram a mulher e a líder que você se tornou?

Priscilla: Eu perdi meus pais muito jovens. E entendi que precisava assumir responsabilidades. Com isso os desafios me ensinaram a ter responsabilidade muito cedo.

Comecei a trabalhar nova, então aprendi na prática. Não havia muito espaço para errar, era aprender, ajustar e seguir.

Isso me trouxe firmeza. Mas também me fez entender que nada acontece sozinho. Resultado não vem de discurso, vem de atitude, decisões e constância. Sempre levei para minha liderança: fazer o que precisa ser feito, com responsabilidade menos discurso, com processos e mais prática.

Dinalva Heloiza - Em que momento você percebeu que queria atuar no mundo dos negócios — e mais do que isso, liderar?

Priscilla: Quando eu fui morar com os meus avós maternos e comecei a cursar Administração na Católica de Goiás, hoje PUC. Queria começar a vivenciar a teoria da prática. Tive que pedir ao meu avô. E para ele era o seguinte: “Mulher tinha que ser dona de casa e mãe." E como a minha vontade era muita, eu tinha uma necessidade tão grande ser independente, busquei meu espaço nas empresas da família. Queria participar dos negócios, aprender e construir uma carreira profissional.

Consegui ir trabalhar na Planalto e para isso contei com o apoio de mulheres muito importantes na minha vida, como minha avó Élida Nunes.

A liderança foi um processo junto do conhecimento do negócio. E liderança, para mim, é isso. Não é cargo. É assumir o que precisa ser feito, mesmo quando não é confortável.

Negócios & Liderança


Dinalva Heloiza - Você costuma dizer que “negócio precisa ser tratado como negócio”. O que isso significa, na prática, dentro de uma empresa familiar?

Priscilla: Eu sempre digo: “Na empresa não pode misturar família, misturar política... Isso não funciona. Negócio tem que ser tratado como negócio.” Significa parar de misturar as coisas. Família é família, empresa é empresa.

A empresa precisa ter regra, processo, governança e decisão clara, baseada em dados e estratégia, não em emoção, ou hierarquia familiar. Quando isso não está bem definido, os conflitos aumentam e o crescimento fica limitado.

Tratar o negócio como negócio é ter organização, clareza e responsabilidade para que a empresa cresça e se sustente à longo prazo.

Dinalva Heloiza - Liderar no agronegócio certamente ainda é um espaço desafiador para mulheres. Quais foram — e ainda são — os principais enfrentamentos nesse cenário?

Priscilla: As pessoas sempre me perguntam sobre isso. Falam muito dessa questão de preconceito. Eu, Priscilla, não tive tempo de olhar nisso. Sempre estive muito focada no trabalho.

Eu gosto de trabalhar com mulheres e sou extremamente grata pelo time que temos hoje. Inclusive, temos um direcionamento claro: buscamos ter, no mínimo, 30% do quadro formado por mulheres.

Eu entendi cedo que atitude e consistência constroem respeito. O resultado dita mais alto do que qualquer discurso. É claro que existem desafios, mas eu prefiro olhar para a solução. Problema a gente enfrenta.

E, para isso, sempre busquei apoio em mentores, consultores e no autoconhecimento. Quando você entrega resultado de forma contínua, o reconhecimento vem. Hoje eu já vejo mais espaço sendo aberto e isso é construção.

Dinalva Heloiza - A Planalto Tratores já conquistou alguns dos grandes reconhecimentos em cenário nacional. Qual foi o maior diferencial estratégico para alcançar esse nível de excelência?

Priscilla: Hoje somos o número 1 em Dealer Excellence Valtra. Disciplina na gestão e foco em resultado. A gente fez o básico bem-feito por muito tempo: processo, acompanhamento e desenvolvimento de pessoas. Pode parecer simples, mas é isso que sustenta o crescimento à longo prazo.

Outro ponto importante foi entender que crescer sem estrutura vira risco. Então, investimos em governança, organização e alinhamento interno antes de acelerar. Isso fez diferença.

Dificuldades sempre existiram, inclusive financeiras, e muitas. Mas a forma de enfrentar é o que muda. A gente seguiu, evoluiu e acompanhou o mercado. E eu sempre acreditei que ia dar certo!

Governança & Sucessão

Dinalva Heloiza - A sucessão familiar é um dos temas mais sensíveis nas empresas. Qual foi o maior aprendizado da sua vivência nesse processo?

Priscilla: Que negócio e família não podem se misturar. É preciso ter comunicação clara e acordos bem definidos, de preferência formalizados, para minimizar conflitos.

Para mim, sucessor é quem quer ver o negócio crescer e dar certo. Não está focado só no lucro. Quando o foco é só o benefício, muitas vezes isso leva à perda de patrimônio.

Eu sempre digo: está tudo bem ser herdeiro, desde que seja uma escolha. Mas, se a decisão for ser sucessor, é preciso se preparar, buscar conhecimento e entender que é um processo, muitas vezes longo.

Também é fundamental proteger a relação familiar e, ao mesmo tempo, o negócio. Quando não há planejamento, a empresa passa a reagir em vez de direcionar. Os papéis ficam indefinidos, as expectativas se desalinham e o que deveria ser continuidade vira tensão.

Dinalva Heloiza - Em sua visão e experiência, qual é o erro mais comum que empresas familiares cometem ao pensar em continuidade?

Priscilla: Adiar decisões importantes. Falta comunicação clara e alinhamento de expectativas. E isso é o que gera insegurança no processo. Muitas empresas evitam conversar sobre sucessão, governança e definição de papéis.

Outro erro comum é não profissionalizar a gestão. Continuidade exige estrutura, não só boa intenção. Quando há clareza e organização, o processo se torna mais seguro e mais humano. A transição deixa de ser um risco e passa a ser um movimento estratégico.

Gestão & Pessoas

Dinalva Heloiza - Você reflete muito sobre colocar o ser humano no centro. Como equilibrar resultado e sensibilidade na gestão?

Priscilla: Eu não vejo como coisas separadas. Resultado vem de pessoas. E nós, mulheres, muitas vezes temos uma sensibilidade maior, o que ajuda na forma de lidar com os desafios.

Mas cuidar das pessoas não é deixar de cobrar. É dar direção, desenvolver e ter clareza no que precisa ser feito. Quando isso está alinhado, o resultado acontece

Dinalva Heloiza - Em momentos de crise, o que sustenta suas decisões: dados, intuição ou experiência?

Priscilla: Os três (risos). Hoje, com mais equilíbrio. Sempre fui muito focada em dados, porque eles mostram o cenário. A experiência ajuda na leitura e a intuição, muitas vezes, foi, e ainda é, uma das minhas maiores forças. Mas, acima de tudo, decisão em crise exige clareza e responsabilidade. O líder precisa sustentar suas escolhas.

Valores & Visão

Dinalva Heloiza - Recentemente você disse algo muito forte: “não tem como plantar arroz e colher feijão”. Como essa filosofia se aplica no seu dia a dia?

Priscilla: É sobre responsabilidade. Você colhe o que planta. No dia a dia, isso significa ter coerência. Alinhar discurso e prática, definir prioridades claras e entender que cada decisão tem impacto no futuro. Não dá pra esperar resultados diferentes fazendo sempre o mesmo.

Dinalva Heloiza - Qual é o papel da empatia dentro de uma liderança estratégica?

Priscilla: A empatia ajuda a entender o contexto. Sem isso, o líder toma decisão sem enxergar o todo. Desconectadas das pessoas e da realidade. Empatia não é passar a mão na cabeça, não é concordar com tudo. É entender para decidir melhor.

Mulher & Protagonismo

Dinalva Heloiza - O que significa, para você, ser mulher em posição de liderança hoje?

Priscilla: É ocupar o espaço com responsabilidade e consistência. Sem focar em rótulo, mas no trabalho que precisa ser feito. Eu acredito que liderança não tem gênero. O que constrói respeito é atitude, entrega e resultado.

Ao mesmo tempo, eu sei que quando uma mulher ocupa esse espaço, ela também abre caminho para outras.

Dinalva Heloiza - Que conselho você daria para mulheres que ainda não se sentem prontas para ocupar espaços maiores?

Priscilla: Eu acredito que ninguém se sente totalmente pronto. O que faz diferença é se preparar e ter coragem de assumir responsabilidade, mesmo com insegurança. É ter vontade de fazer dar certo, de acreditar.

Sonhe. Sonhe grande. E faça tudo o que estiver ao seu alcance para dar certo. Esperar o momento perfeito pode ser o maior atraso.

Acredite, mesmo com insegurança.
É no movimento, com paixão e coragem, que as coisas começam a dar certo.

Futuro & Legado

Dinalva Heloiza - Quais os sonhos você ainda deseja realizar — como empresária e como mulher?

Priscilla: Continuar evoluindo. Sonhando e construindo novas oportunidades,  de negócios, de parcerias e de convivência com as pessoas.

Como Conselheira Consultiva, quero contribuir com outros negócios a partir da minha experiência. Nas palestras, levo a minha trajetória, com transparência e verdade, mostrando caminhos, desafios e resultados, para que isso possa ajudar outras pessoas.

Acredito muito que sucessão é um processo longo, que exige alinhamento entre a gestão do negócio e as relações familiares, para garantir continuidade e honrar o passado, o presente e o futuro.

Como mulher, busco equilíbrio, autoconhecimento e bem-estar. E estar perto de quem faz a vida ter sentido: minha família, meus amigos e amigas.

Dinalva Heloiza - Que tipo de legado você quer deixar, não só nos negócios, mas nas pessoas?

Priscilla: - Um legado de trabalho, responsabilidade e construção sólida. De alguém que acreditou e fez o que precisava ser feito para conquistar o que sempre buscou: independência financeira e resultado. Porque trabalho dá trabalho.

Mas é a coragem de enfrentar os desafios que move tudo. Sempre foi assim pra mim. Para as famílias empresárias, quero contribuir para que entendam que governança e planejamento sucessório não são burocracia, são segurança e continuidade.

A sucessão é um desafio inevitável. Por que não encarar como uma oportunidade de crescimento? E, nas pessoas, deixar a percepção de que é possível liderar com firmeza, respeito e humanidade, ao mesmo tempo.

Conclusão

A trajetória de Priscilla Nunes Cunha revela que liderança não se constrói apenas com resultados, mas com consistência, visão e coragem. Em um setor onde tradição e inovação caminham lado a lado, sua atuação reforça que o futuro das empresas — especialmente as familiares — depende menos de nomes e mais de estrutura, cultura e propósito.

E talvez seja justamente aí que mora sua maior força: liderar com estratégia, sem perder o humano de vista.

Com contribuição da assessora de relações públicas Cândida Dias - Planalto Tratores 

Contatos: Priscilla Nunes Cunha

Instagram @priscillancunha

LinkdIn:  /priscilla-nunes-cunha

Email: priscilla@priscillanunes.com.br

Telefone: 62 9 99031311


 

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