Dinalva Heloiza – Jornalista
Em um setor historicamente dominado por homens, a liderança feminina ainda é, muitas vezes, um território de conquista diária.
À frente da presidência
do Conselho de Administração da Planalto Tratores, Priscilla Nunes Cunha construiu
uma trajetória que une sensibilidade e estratégia, tradição e inovação.
Empresária, conselheira consultiva e palestrante, com atuação consolidada no agronegócio brasileiro sua história não começa no privilégio, mas na superação.
Sua trajetória é marcada pela expansão e profissionalização de uma empresa familiar, com forte foco em governança, sucessão e desenvolvimento de pessoas.
Órfã ainda na infância, encontrou na educação e no trabalho o caminho para transformar dor em propósito — e propósito em liderança.
Com
formação em Administração e especializações em gestão e governança corporativa,
atua diretamente em ambientes decisórios, conselhos e processos de transição,
contribuindo para a construção de negócios mais estruturados e preparados para
o futuro.
Sua experiência é construída na prática. Ao longo da
carreira, esteve à frente de decisões desafiadoras, reorganização de estruturas
e amadurecimento de lideranças, especialmente em contextos onde continuidade,
relações familiares e estratégia caminham juntas.
Hoje, lidera uma das concessionárias mais reconhecidas do
Brasil no setor do agronegócio, com expansão para novos mercados e uma atuação
sólida em governança e sucessão familiar. Mas, acima de tudo, Priscilla
constrói algo maior: continuidade com sentido.
Natural de Goiânia, carrega em sua história vivências que
moldaram uma liderança firme, responsável e orientada a resultados.
E é com essa liderança, que hoje o nosso blog inicia um
projeto de entrevistas com lideranças femininas, com vocês, Priscilla Nunes!
Trajetória
Dinalva Heloiza - Priscilla, sua história começa com desafios muito profundos. Como essas experiências moldaram a mulher e a líder que você se tornou?
Priscilla: Eu perdi meus pais muito jovens. E entendi que precisava assumir responsabilidades. Com isso os desafios me ensinaram a ter responsabilidade muito cedo.
Comecei a trabalhar nova, então aprendi na
prática. Não havia muito espaço para errar, era aprender, ajustar e seguir.
Isso me trouxe firmeza. Mas também me fez entender que nada
acontece sozinho. Resultado não vem de discurso, vem de atitude, decisões e
constância. Sempre levei para minha liderança: fazer o que precisa ser feito,
com responsabilidade menos discurso, com processos e mais prática.
Dinalva Heloiza - Em que momento você percebeu que
queria atuar no mundo dos negócios — e mais do que isso, liderar?
Priscilla: Quando eu fui morar com os meus
avós maternos e comecei a cursar Administração na Católica de Goiás, hoje PUC.
Queria começar a vivenciar a teoria da prática. Tive que pedir ao meu avô. E
para ele era o seguinte: “Mulher tinha que ser dona de casa e mãe." E como
a minha vontade era muita, eu tinha uma necessidade tão grande ser independente,
busquei meu espaço nas empresas da família. Queria participar dos negócios,
aprender e construir uma carreira profissional.
Consegui ir trabalhar na Planalto e para isso contei com o
apoio de mulheres muito importantes na minha vida, como minha avó Élida Nunes.
A liderança foi um processo junto do conhecimento do
negócio. E liderança, para mim, é isso. Não é cargo. É assumir o que precisa
ser feito, mesmo quando não é confortável.
Negócios & Liderança
Dinalva Heloiza - Você costuma dizer que “negócio precisa ser tratado como negócio”. O que isso significa, na prática, dentro de uma empresa familiar?
Priscilla: Eu sempre digo: “Na empresa não
pode misturar família, misturar política... Isso não funciona. Negócio tem que
ser tratado como negócio.” Significa parar de misturar as coisas. Família é
família, empresa é empresa.
A empresa precisa ter regra, processo, governança e decisão
clara, baseada em dados e estratégia, não em emoção, ou hierarquia familiar. Quando
isso não está bem definido, os conflitos aumentam e o crescimento fica
limitado.
Tratar o negócio como negócio é ter organização, clareza e responsabilidade
para que a empresa cresça e se sustente à longo prazo.
Dinalva Heloiza - Liderar no agronegócio certamente
ainda é um espaço desafiador para mulheres. Quais foram — e ainda são — os
principais enfrentamentos nesse cenário?
Priscilla: As pessoas sempre me perguntam
sobre isso. Falam muito dessa questão de preconceito. Eu, Priscilla, não tive
tempo de olhar nisso. Sempre estive muito focada no trabalho.
Eu gosto de trabalhar com mulheres e sou extremamente grata
pelo time que temos hoje. Inclusive, temos um direcionamento claro: buscamos
ter, no mínimo, 30% do quadro formado por mulheres.
Eu entendi cedo que atitude e consistência constroem
respeito. O resultado dita mais alto do que qualquer discurso. É claro que
existem desafios, mas eu prefiro olhar para a solução. Problema a gente
enfrenta.
E, para isso, sempre busquei apoio em mentores, consultores
e no autoconhecimento. Quando você entrega resultado de forma contínua, o
reconhecimento vem. Hoje eu já vejo mais espaço sendo aberto e isso é construção.
Dinalva Heloiza - A Planalto Tratores já conquistou alguns dos grandes reconhecimentos em cenário nacional. Qual foi o maior diferencial estratégico para alcançar esse nível de excelência?
Priscilla: Hoje somos o número 1 em Dealer
Excellence Valtra. Disciplina na gestão e foco em resultado. A
gente fez o básico bem-feito por muito tempo: processo, acompanhamento e
desenvolvimento de pessoas. Pode parecer simples, mas é isso que sustenta o
crescimento à longo prazo.
Outro ponto importante foi entender que crescer sem
estrutura vira risco. Então, investimos em governança, organização e
alinhamento interno antes de acelerar. Isso fez diferença.
Dificuldades sempre existiram, inclusive financeiras, e muitas. Mas a forma de enfrentar é o que muda. A gente seguiu, evoluiu e acompanhou o mercado. E eu sempre acreditei que ia dar certo!
Governança & Sucessão
Dinalva Heloiza - A sucessão familiar é um dos temas
mais sensíveis nas empresas. Qual foi o maior aprendizado da sua vivência nesse
processo?
Priscilla: Que negócio e família não podem se
misturar. É preciso ter comunicação clara e acordos bem definidos, de
preferência formalizados, para minimizar conflitos.
Para mim, sucessor é quem quer ver o negócio crescer e dar
certo. Não está focado só no lucro. Quando o foco é só o benefício, muitas
vezes isso leva à perda de patrimônio.
Eu sempre digo: está tudo bem ser herdeiro, desde que seja
uma escolha. Mas, se a decisão for ser sucessor, é preciso se preparar, buscar
conhecimento e entender que é um processo, muitas vezes longo.
Também é fundamental proteger a relação familiar e, ao mesmo
tempo, o negócio. Quando não há planejamento, a empresa passa a reagir em vez
de direcionar. Os papéis ficam indefinidos, as expectativas se desalinham e o
que deveria ser continuidade vira tensão.
Dinalva Heloiza - Em sua visão e experiência, qual é o
erro mais comum que empresas familiares cometem ao pensar em continuidade?
Priscilla: Adiar decisões importantes. Falta
comunicação clara e alinhamento de expectativas. E isso é o que gera
insegurança no processo. Muitas empresas evitam conversar sobre sucessão,
governança e definição de papéis.
Outro erro comum é não profissionalizar a gestão.
Continuidade exige estrutura, não só boa intenção. Quando há clareza e
organização, o processo se torna mais seguro e mais humano. A transição deixa
de ser um risco e passa a ser um movimento estratégico.
Gestão & Pessoas
Dinalva Heloiza - Você reflete muito sobre colocar o ser humano no centro. Como equilibrar resultado e sensibilidade na gestão?
Priscilla: Eu não vejo como coisas separadas. Resultado
vem de pessoas. E nós, mulheres, muitas vezes temos uma sensibilidade maior, o
que ajuda na forma de lidar com os desafios.
Mas cuidar das pessoas não é deixar de cobrar. É dar
direção, desenvolver e ter clareza no que precisa ser feito. Quando isso está
alinhado, o resultado acontece
Dinalva Heloiza - Em momentos de crise, o que sustenta
suas decisões: dados, intuição ou experiência?
Priscilla: Os três (risos). Hoje, com mais
equilíbrio. Sempre fui muito focada em dados, porque eles mostram o cenário. A
experiência ajuda na leitura e a intuição, muitas vezes, foi, e ainda é, uma
das minhas maiores forças. Mas, acima de tudo, decisão em crise exige clareza e
responsabilidade. O líder precisa sustentar suas escolhas.
Valores & Visão
Dinalva Heloiza - Recentemente você disse algo muito
forte: “não tem como plantar arroz e colher feijão”. Como essa filosofia se
aplica no seu dia a dia?
Priscilla: É sobre responsabilidade. Você colhe o que planta. No dia a dia, isso significa ter coerência. Alinhar discurso e prática, definir prioridades claras e entender que cada decisão tem impacto no futuro. Não dá pra esperar resultados diferentes fazendo sempre o mesmo.
Dinalva Heloiza - Qual é o papel da empatia dentro de
uma liderança estratégica?
Priscilla: A empatia ajuda a entender o
contexto. Sem isso, o líder toma decisão sem enxergar o todo. Desconectadas das
pessoas e da realidade. Empatia não é passar a mão na cabeça, não é concordar
com tudo. É entender para decidir melhor.
Mulher & Protagonismo
Dinalva Heloiza - O que significa, para você, ser mulher em posição de liderança hoje?
Priscilla: É ocupar o espaço com
responsabilidade e consistência. Sem focar em rótulo, mas no trabalho que
precisa ser feito. Eu acredito que liderança não tem gênero. O que constrói
respeito é atitude, entrega e resultado.
Ao mesmo tempo, eu sei que quando uma mulher ocupa esse
espaço, ela também abre caminho para outras.
Dinalva Heloiza - Que conselho você daria para
mulheres que ainda não se sentem prontas para ocupar espaços maiores?
Priscilla: Eu acredito que ninguém se sente
totalmente pronto. O que faz diferença é se preparar e ter coragem de assumir
responsabilidade, mesmo com insegurança. É ter vontade de fazer dar certo, de
acreditar.
Sonhe. Sonhe grande. E faça tudo o que estiver ao seu
alcance para dar certo. Esperar o momento perfeito pode ser o maior atraso.
Acredite, mesmo com insegurança.
É no movimento, com paixão e coragem, que as coisas começam a dar certo.
Futuro & Legado
Dinalva Heloiza - Quais os sonhos você ainda deseja
realizar — como empresária e como mulher?
Priscilla: Continuar evoluindo. Sonhando e
construindo novas oportunidades, de
negócios, de parcerias e de convivência com as pessoas.
Como Conselheira Consultiva, quero contribuir com outros
negócios a partir da minha experiência. Nas palestras, levo a minha trajetória,
com transparência e verdade, mostrando caminhos, desafios e resultados, para
que isso possa ajudar outras pessoas.
Acredito muito que sucessão é um processo longo, que exige
alinhamento entre a gestão do negócio e as relações familiares, para garantir
continuidade e honrar o passado, o presente e o futuro.
Como mulher, busco equilíbrio, autoconhecimento e bem-estar. E estar perto de quem faz a vida ter sentido: minha família, meus amigos e amigas.
Dinalva Heloiza - Que tipo de legado você quer deixar, não só nos negócios, mas nas pessoas?
Priscilla: - Um legado de trabalho,
responsabilidade e construção sólida. De alguém que acreditou e fez o que
precisava ser feito para conquistar o que sempre buscou: independência financeira
e resultado. Porque trabalho dá trabalho.
Mas é a coragem de enfrentar os desafios que move tudo.
Sempre foi assim pra mim. Para as famílias empresárias, quero contribuir para
que entendam que governança e planejamento sucessório não são burocracia, são
segurança e continuidade.
A sucessão é um desafio inevitável. Por que não encarar como
uma oportunidade de crescimento? E, nas pessoas, deixar a percepção de que é
possível liderar com firmeza, respeito e humanidade, ao mesmo tempo.
Conclusão
A trajetória de Priscilla Nunes Cunha revela que liderança
não se constrói apenas com resultados, mas com consistência, visão e coragem.
Em um setor onde tradição e inovação caminham lado a lado, sua atuação reforça
que o futuro das empresas — especialmente as familiares — depende menos de
nomes e mais de estrutura, cultura e propósito.
E talvez seja justamente aí que mora sua maior força: liderar
com estratégia, sem perder o humano de vista.
Com contribuição da assessora de relações públicas Cândida Dias - Planalto Tratores
Contatos: Priscilla Nunes Cunha
Instagram @priscillancunha
LinkdIn:
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Email: priscilla@priscillanunes.com.br
Telefone: 62 9 99031311







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