Dinalva Heloiza
Há momentos na história de um país em que a escolha política deixa de ser apenas uma preferência ideológica e passa a ser um teste moral coletivo. Não se trata mais de simpatia, carisma ou identificação imediata com um projeto de poder, mas o mais importante, a consciência do eleitor em reconhecer os limites que não podem ser ultrapassados sem que a própria ideia de sociedade, civilidade e democracia comece a ruir.
O Brasil já experimentou, em um
passado recente, um tipo de condução política que não se limitou a erros
administrativos ou divergências legítimas de visão. O que se viu foi a
institucionalização de um método corrosivo e destrutivo: onde a desinformação foi
elevada à categoria de estratégia, o confronto e ódio permanente transformado
em linguagem de governo, a desqualificação da ciência e do conhecimento como
ferramenta deliberada de poder. Não foi apenas uma crise de gestão — foi também
uma crise de consciência coletiva.
