Discorrendo entre os autores Hannah Arendt e Yuval Harari — um ensaio sobre a alma, o poder e o reencontro com o sensível
Dinalva Heloiza
Há milênios caminhamos sobre as ruínas e os brilhos de nós mesmos. De tempos em tempos, a humanidade se reinventa — mas quase sempre tropeçando na própria sombra. Inventamos o fogo, a roda, a máquina, a rede… e, com cada invenção, criamos também uma nova forma de domínio.
Eis o paradoxo do humano: avançamos em tudo, menos em
ternura. Hannah Arendt olhou esse abismo de frente.
Viu que o mal não precisa de monstros para existir — basta a
ausência de pensamento. Ela percebeu que o horror pode nascer do cotidiano, da
obediência cega, da burocracia sem alma.
Chamou isso de a banalidade do mal — essa quietude do espírito que
permite o inaceitável.
