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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Quando a ignorância vira orgulho: o século em que o não saber... passou a ser virtude!

  

Dinalva Heloiza

Uma reflexão a partir da obra - O Século dos Imbecis – do autor Valter Hugo Mãe, sobre a normalização da ignorância, a erosão do pensamento crítico e uma sociedade que parece ter perdido a vergonha de não querer saber

Há algo profundamente perturbador no nosso tempo: nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, parece haver uma resistência crescente ao conhecimento.

Temos bibliotecas inteiras dentro de um telefone. Podemos consultar pesquisas científicas, livros, universidades, jornais, arquivos históricos, museus e especialistas em poucos segundos. A humanidade jamais dispôs de tamanha capacidade de acessar fatos verdadeiros e informação verídica.

E, ainda assim, prospera uma espécie de orgulho em não saber. Não se trata mais apenas de desconhecer determinado assunto. Afinal, ninguém sabe tudo. A ignorância, nesse sentido, é parte inevitável da condição humana.

O problema começa quando o desconhecimento deixa de provocar curiosidade e passa a produzir arrogância; quando admitir “não sei” é considerado fraqueza, enquanto afirmar qualquer coisa com absoluta convicção passa a ser interpretado como força.

terça-feira, 22 de julho de 2025

O Brasil dos Humilhados: Livro de Jessé Souza aponta a urgência de resgatar nossa dignidade social!

Dinalva Heloiza

Em O Brasil dos Humilhados, o sociólogo Jessé Souza nos conduz por um Brasil que raramente é desvelado com tanta lucidez: o Brasil das distorções históricas, do pensamento sequestrado, da elite financeira que manipula narrativas para manter-se no topo à custa do povo que humilha. Numa linguagem acessível, mas carregada de contundência analítica, ele lança luz sobre uma das maiores farsas intelectuais da nossa formação social: a de que somos um povo inferior por natureza — mais corrupto, menos inteligente e moralmente falho em comparação aos povos do norte global.

Mas Jessé desconstrói essa fábula com precisão cirúrgica. A crítica que tece não se limita a uma denúncia moral, mas se estrutura como uma verdadeira arqueologia do pensamento brasileiro. Ele escava as raízes de nossa autoimagem e mostra como os intérpretes clássicos do Brasil — de Sérgio Buarque de Holanda a Roberto DaMatta — colaboraram, ainda que inconscientemente, para uma visão elitista e excludente de nosso povo. A "tolice da inteligência brasileira", como ele ironicamente denomina, foi posta a serviço dos 1% mais ricos, ocultando o verdadeiro motor da desigualdade: a brutal concentração de riquezas e de poder simbólico.